quinta-feira, 17 de abril de 2014

Intervenção “Memória de Bolso" Relembra Massacre de Eldorado

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Selecionada para o III Salão Xumucuís de Arte Digital, a Intervenção Urbana “Memória de Bolso: Contra o Sono do Sangue”, proposta por Marcílio Costa e Ednaldo Britto, foi  realizada na área metropolitana de Belém e expandida para a rede mundial de computadores pelo endereço http://contraosonodosangue.blogspot.com.

A intervenção propôs relembrar o massacre dos 19 trabalhadores rurais sem terra ocorrido em Eldorado dos Carajás no Pará, que, no dia 17 de abril, “numa espécie de maior idade da barbárie”, completou 18 anos.  

Desde 2009, numa região marcada pela violência no campo e pela destruição das florestas, os artistas visuais Marcílio Costa e Ednaldo Britto produzem, de maneira colaborativa, obras visuais com forte teor em defesa dos direitos humanos e do meio ambiente.

Em sua terceira edição, gognominada Mídias Selvagens, o Salão Xumucuís de Arte Digital, produzido pelo jovem curador Ramiro Quaresma, se consolida como importante espaço de difusão e reflexão sobre a arte brasileira contemporânea.  
 
Imagem: Fernanda Brito 

domingo, 13 de abril de 2014

Aberta Seleção para Intercâmbio de Artistas Brasileiros


Selecionados receberão dois mil euros, além das passagens aéreas, alojamento e verba para produção artística.

Ministério da Cultura abriu seleção de residências artísticas para quatro brasileiros no Centro Cultural Matadero Madrid, na Espanha, no período de 6 de outubro a 16 de novembro de 2014. A iniciativa foi concretizada após visita da ministra da Cultura, Marta Suplicy, no ano passado, quando acordou com a direção do centro a intensificação do intercâmbio de artistas. 

Poderão participar da convocatória artistas e agentes locais de nacionalidade brasileira, assim como pessoa física que resida ou atue no Brasil. Os selecionados receberão 2 mil euros e outros benefícios, como passagem para Espanha, alojamento e verba para produção artística. Os interessados podem enviar proposta até 23 de maio através do Site.   

O resultado do trabalho desenvolvido será apresentado ao público de 12 de novembro a 6 de janeiro de 2015. 

Matadero

Composto por um conjunto com 48 edifícios, o Museu Matadero Madrid - um antigo matadouro que se transformou numa cidade cultural - tem espaços destinados ao design, cinemateca, leitura, criação, estúdio de música, debate, produção de arte contemporânea, entre muitos outros. Além disso, cede algumas áreas do complexo a empresas privadas que se dedicam a arte. O resultado é um maior número de pessoas com acesso à cultura.

Parcerias

A parceria com o Centro Cultural Matadero se realiza logo após a assinatura de um acordo entre Ministério da Cultura e a Universidade de Bolonha (Itália), que segue a linha do programa “Ciência sem Fronteira”. O Ministério da Cultura tem buscado parcerias para emplacar o intercâmbio de artistas e/ou estudantes brasileiros da área cultural.

Fonte: Ministério da Cultura
Imagem: CCM

segunda-feira, 3 de março de 2014

Entrevista com o Design, Artista e Educador Paraense Ricardo Macêdo.


Ricardo é formado em Design de Interiores pela Escola Técnica Federal, graduado em Artes Plásticas pela UFPA e mestre em Arte e Tecnologia da Imagem pela UFMG. Trabalha como produtor e educador na área de Artes Visuais. 

Iniciaste a tua carreira na década de 90 produzindo desenhos e pinturas ligadas a tradição representativa da arte ocidental, posteriormente os teus trabalhos adquiriram um caráter conceitual com um teor mais crítico; como analisas esta mudança?  

Essa mudança ocorreu quando a pintura se mostrou insuficiente para tratar de alguns assuntos. Não que a pintura como linguagem seja insuficiente, mas sim, que minha técnica era. A pintura como linguagem nunca será insuficiente. 
Essa mudança, como todas que ocorrem em minha vida, foi bem lenta e está ligada a um processo de mudança como indivíduo, a buscas interiores. 
Isso requer um olhar destruidor e ao mesmo tempo fundador. Destruidor no sentido de oportunizar a percepção de comportamentos ou valores que precisam ser revistos. Falo dos comportamentos, pois por trás da obra há uma mentalidade ligada a um paradigma, quando a mentalidade e o emocional mudam, a maneira de perceber o mundo muda... isso me interessa muito. 
Contudo, se me perguntares qual caminho usar para efetivar isso, se é o padre, o pastor, o psicanalista ou o curador que o mostrará... Não saberia te responder. Isso é um caminho que cada um encontra. 
Fundador no sentido de estabelecer novas bases, e dar segurança àqueles artistas mais receosos, que vivem sob a tutela das instituições e que (com razão) tem receio de expor seus pensamentos, de passar vergonha ou vexame, de se colocar de forma legítima e anarquizar o coreto. As fundações ocorrem para que um receoso deixe sua zona de conforto e participe da mudança. Tal como agora, com a frase de ordem “o direito à cidade” instigando as pessoas comuns para tomar as ruas. 

Em que medida tu concilias a tua formação como design ao teu trabalho como pesquisador, produtor e educador visual?  

Eu parei a produção artística e foquei na pesquisa de mestrado, encontrei alternativas e revisei modos de ativar trabalhos colaborativos, revi minha postura, pensando oficinas como ferramentas. Isso não é descoberta minha, vem sendo feito por outras pessoas, tendo paralelos nítidos com Paulo Freire , Tião Rocha  e Celso Antunes . No caso dos gringos, é uma resposta também a crise econômica, o governo não faz, as ONGS desviam-se de seus objetivos, vem a arte e toma pra si a responsabilidade de propor mudança via o que muitos chamam de ativismo lento. A educação age aí, como mediadora, provocando no participante outros olhares, na vivência de situações mais do que contemplação. 
Eu tinha um zine na década de 1990, o Banthis, andava de skate, saia com os punks, na época, skatistas construíam uma rampa juntando grana, daí todos a usavam na praça. Os punks faziam ensaios em quartinhos no CDP e tocavam no Porão do Rock, o teto era baixo, quando pulávamos batíamos com a cabeça nele, um amigo perdeu um dente uma vez. Isso é algo que descobri na pesquisa, um revival do do it yourself  e a importância da ambiência, ou seja, quando há preocupação com o outro, com a atividade coletiva, você chega a respostas pelo e para o Outro. 
Meus vizinhos gritam demais quando o clima está quente, mas quando chove ou faz frio eles sossegam, hibernam. Descobri que o ambiente abraça o público (isso também é design de interiores), quando trabalhei nos bairros periféricos como Guamá, Sacramenta e Terra Firme em Belém, eu colocava um plástico grande no chão para as crianças perceberem que aquele era seu espaço e a atividade corria solto. Hoje não é diferente, o que é uma obra relacional? O que é uma proposição convivial? É algo que se encontra em um espaço constituído para o Outro. E dentro dele, outros aspectos influenciam, como o ritmo em que a proposição é executada, há aí uma contra cultura, que é uma das finalidades da arte atual, na pesquisa proponho uma desaceleração do nosso ritmo frenético. Nesse sentido consigo aliar arte educação e design à arte contemporânea.

Na condição de mestre em Arte e Tecnologia da Imagem como tu avalias a qualidade da pesquisa em arte realizada no Brasil? 

Uma coisa dá para pontuar com certeza, é que há atualmente uma vontade de aproximar o pensamento (seja no Brasil ou no mundo) de um novo paradigma para a vida. 
Parte dessa mudança paradigmática vem ocorrendo através da inserção das novas tecnologias nas artes visuais. Há dificuldades para tratar desses dados nos planos de curso, por quê? Por que é todo um mundo novo, instável, se apresentando. O aluno chega na sala de aula falando em 4chan , Anonymous, crowfunding, Deep web , Ultima , Lulu... Entende? Esses mediadores te levam a informações sobre Belo Monte, Muda Brasil, Corrupção em Brasília, etc. Quem seria um dos personagens que propícia clareza a esses elementos dentro da cultura cyber, para a compreensão do cenário da arte contemporânea? O professor de arte. 
Evidentemente, podes referendar a importância da tradição! Porém, até a tradição tem sofrido abalos sísmicos, Didi Huberman  balançando os arcanos da História da Arte, Giorgio Agamben  balançando a sistemática do universo contemporâneo, Tião Rocha no interior de Minas, propondo mudanças na sistemática do ensino, e junto a isso, espaços alternativos em Belo Horizonte, como o Instituto Undió , o EXA  (Espaço Experimental de Arte. 
Em Belém há uma geração surgindo, Fiquei sabendo que o Gil Costa vai publicar a dissertação dele, o John Fletcher é outro exemplo, veja o projeto RUA . Também não posso deixar de citar as ações da Rede Aparelho , misto entre ativismo, cultura cyber e intervenção crítica social. Há também os espaços novos, como o Atelier do Porto, encabeçado por duas pessoas, uma delas acredito ter também um compromisso grande com a educação, o Armando Sobral. O Curro Velho é outro exemplo da junção de profissionais de ponta, que vem buscando uma reestruturação desse espaço importantíssimo para Belém. Entre outros locais mais ou menos ligados à educação, o presente momento promete. 
Nesse sentido, o desafio continua sendo conectar as pesquisas da academia ao que existe fora dela, ao que é interessante para a comunidade, indo atrás desses novos protagonistas no campo da arte que estão fazendo essa mediação entre práticas contemporâneas e nova configuração do cenário social. Uma universidade para a vida, como nos fala o Alain de Botton . 


A despeito dos significativos avanços ocorridos na legislação e na política educacional no Brasil a condição da Arte como disciplina escolar ainda é muito frágil e precária. Na tua opinião, o que falta para que esta realidade seja definitivamente alterada?  

Acho os PCNS uma maravilha, são perfeitos! Mas, se me perguntares se funcionam como deveriam, evidentemente, tenho de dizer que não funcionam. Acho que há pouca contribuição daqueles que vivenciam o contemporâneo, sabem de suas lacunas, mas infelizmente não criam alternativas para os sombras que percebem no campo da mediação, da arte aplicada na sala de aula, da arte como um campo de conhecimento. Ainda há a ideia, infelizmente,  entre alguns artistas, que arte não deve ser ensinada, que ela é sonho, que é inexoralvelmente enigma. 
Evidentemente, ela é isso, mas não é só isso. Esse é um ponto de vista perigoso, pois, extremista. Trabalhos atuais de arte contemporânea revisitam Augusto Boal  (do teatro), revisitam Paulo Freire (da educação), buscam Jacques Rancierè  (da filosofia), não por acaso, pois estão preocupados com a relação espectador/participante/obra, como nos diz Claire Bishop .
Entretanto, a distância entre arte educadores e artistas visuais continua, uns não visitam os outros, uns não vão na palestra do outro, apenas quando um (a) ou outro (a) arte educador (a) se torna expoente, representante de algum grande edital, aí sim, rolam as visitas, os chazinhos da tarde e iniciam belas e profundas amizades. Evidentemente, isso não existe somente em Belém, é uma realidade em várias cidades do Brasil. Como pensar essas diferenças? 
Estamos tentando o “viver junto” sem necessidade de acompanhar uma agenda como fizeram as vanguardas do passado recente, dar conta da diferença, do Outro no convívio legítimo e não espetacularizado, veja bem, porquê pesquisadoras européias citam atualmente Paulo Freire e Augusto Boal em suas pesquisas sobre arte contemporânea? Porque as proposições participativas atuais não podem viver apenas dos alicerces deixados por Fluxus, Helio Oiticica, Lygia Clark, Provos , Allan Kaprow, Internacional Situacionista, etc. Eles são trampolim. Quando o assunto é o Outro, outras áreas tem de ser consultadas e aprofundadas. E qual delas seria uma das indicadas? A meu ver, a arte educação. 
A preocupação de se adentrar o sistema de arte é legítima, mas o que fazer depois que se está lá dentro é que a questão. A preocupação do artista com o público que tem acesso às obras nos espaços expositivos é mínima. Qual o papel das artes visuais no momento de mudança que o Brasil vive? Lembro dos trabalhos da Lúcia Gomes , do Armando Queiróz , das intervenções da Rede Aparelho, das oficinas do Coletivo Puraquê , do Grupo Urucum . E a geração de agora? 


Nas últimas décadas, os curadores, como profissionais ligados aos mercados de arte, assumiram a condição de formuladores dos discursos que elegem os artistas e justificam o valor de suas obras. Sendo assim,  como artista profissional, consideras possível manter uma produção com uma poética pessoal e com um viés crítico sem artifícios ou concessões?

Falar sobre curadoria requer adentrar em um paradoxo: distanciamento do sistema de arte expositivo para falar sem receio de represálias e uma aproximação para não falar asneiras e coisas sem fundamento. Atualmente, não sei de alguém que esteja fazendo observações críticas sobre esse território. 
A figura do curador é imprescindível no tocante ao reconhecimento da estrutura do sistema da arte, suas referências, meandros e aplicabilidades. Sua experiência trás um acúmulo de vivências que o artista não teria como amealhar em pouco tempo de carreira. 
Contudo, cada vez mais, o peso honorífico que essa tutela representa, faz com que as escolhas desses (as) senhores (as) sejam feitas sem que eles percebam o quanto a linha divisória entre vida pessoal e sistema da arte não é mais invisível ou tênue. Quando essa linha deixa de existir, as relações que antes tinham um caráter mais privado, viram assunto in box nas redes sociais, e caem em um sistema de propagação de subinformação sobre a vida pessoal do curador em questão, sendo por vezes, importante saber: que locais ele(a) frequenta, quais seus artistas prediletos e até qual sua preferência sexual. 
A importância desses dados se tornaram explícitos no circuito, no sentido de terem nitidamente por base, relações que independem da obra e se articulam a partir de um outro eixo: o dos interesses pessoais. O repertório crítico fica arruinado nessa estória, esquemas de fazer e conviver são mercantilizados, abrindo brecha para as observações maliciosas da doxa ou dos próprios artistas, que com direito, criticam essas posturas. Como responder a esse contexto sem se deixar representar por ele?
Talvez, uma alternativa seja cooptar as gerações que vão surgindo antes da cooptação feita pelo modelo de curadoria tradicional. Isso, claro, depende de um cenário montado e preexistente, artistas trabalhando colaborativamente para se diferenciar do modelo hegemônico (e não como vemos atualmente: espaços alternativos ao mainstrean, porém, cópias menores da estrutura hegemônica), críticos freestyle (operando desligados de instituições) e professores atualizados. 
Um dos impasses parece ser sempre o mesmo, o encanto e o feitiço que, por vezes, as gerações questionadoras sofrem ao adentrar no sistema de arte, expostos ao status, aos elogios, as premiações, a fama, enfraquecem o senso crítico e a auto-crítica. 
Também tem a questão da crítica via ressentimento, isso é foda! Explico, o ressentido age de acordo com reverberações do passado, ele está preso a algum tipo de vingança, quando essa vingança é sanada, ele paralisa seu olhar crítico. Precisamos de críticos com o olhar voltado para o futuro e não para o passado. Assim como precisamos de artistas que estejam criticando o sistema de arte porque querem mudanças nele, e não por não gostarem de fulano e beltrano.

“Igrejas fazem silêncio” (VAUTIER) 


Agradecemos ao Ricardo Macêdo por conceder gentilmente esta entrevista. 


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Um Panorama da Fotografia Portuguesa

Curitiba recebe o 2º Ciclo da Fotografia Portuguesa no Brasil

Um recorte significativo da fotografia contemporânea portuguesa entra em exposição no Museu Municipal de Arte de Curitiba (MuMa), no Portão Cultural. O Ciclo da Fotografia Portuguesa no Brasil ganha uma segunda edição, um pouco maior que a realizada em 2013, com objetivo de ampliar o diálogo artístico entre os dois países. A exposição 2014 reunirá o trabalho de dez artistas lusitanos que poderão ser vistos até 20 de abril.

O 2º Ciclo vai discutir o tema “Memória”, explorando visualidades ligadas a arquivos, diários e álbuns registrados pelas lentes dos fotógrafos portugueses. Da seleção de fotógrafos representantes de diferentes gerações estão os renomados José Pedro Cortes, Inês d’Orey e André Príncipe. Este último, formado em Psicologia e Cinema, já realizou exposições individuais e coletivas em Londres, Portugal, Madrid, Barcelona, Viena e Rio de Janeiro.

A artista Inês d’Orey é graduada em Fotografia pela London College of Printing e foi vencedora do prêmio Novo Talento Fotografia FNAC (2007). José Pedro Cortes é um dos três indicados para o Prêmio BES PHOTO deste ano. Ele realizou o Master of Arts in Photography no Kent Institute of Art & Design (UK), além do Programa Gulbenkian de Criatividade e Criação Artística (Fotografia). É fundador e co-editor, junto de André Príncipe, da Pierre Von Kleist Editions e realiza regularmente exposições em Portugal e Londres.

Os outros fotógrafos participantes do Ciclo são: Ana Viotti, Daniel Antunes Pinheiro, Maria Leonardo Cabrita, Francisca Veiga, Diogo Simões, Miguel Godinho e Frederico Malaca. “Como na primeira edição, a curadoria do evento contempla fotógrafos portugueses de diferentes gerações e em diferentes estágios de suas carreiras profissionais”, contextualiza Isadora Pitella, coordenadora e curadora do II Ciclo da Fotografia Portuguesa no Brasil.

O evento recebe financiamento da Direção Geral das Artes (DGArtes), do Governo de Portugal e da Fundação Cultural de Curitiba (FCC).

SERVIÇO
2º Ciclo da Fotografia Portuguesa no Brasil
Data: de 19 de fevereiro a 20 de abril
Horário: das 10h às 20h
Local: Museu Municipal de Arte de Curitiba – MuMa ( Av. República Argentina, 3430, Terminal do Portão – Portão)
Entrada gratuita

Imagem: Foto do português José Pedro Cortes

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Ernesto Neto no Guggenheim de Bilbao

Por Letícia Constant
O Museu Guggenheim de Bilbao, no país basco, acaba de inaugurar uma retrospectiva única da obra do carioca Ernesto Neto, de 50 anos, que com seu imaginário sem fronteiras e suas instalações gigantescas é considerado um dos maiores artistas contemporâneos da atualidade. 
"O Corpo que me leva", nome da mostra, apresenta mais de trinta peças, dos anos 90 até hoje, além de criações realizadas especialmente para os espaços do Guggenheim. Um percurso revelador da essência do artista, como explica a curadora Petra Joos: "Ernesto Neto é com certeza um dos nomes mais importantes da cena contemporânea, tem uma obra com novos horizontes, novos parâmetros. Esta retrospectiva tem uma forma muito especial, com trabalhos dos últimos vinte anos. Não nos interessa apresentá-la de maneira cronológica, mas sim focar os grandes temas da sua carreira", diz a curadora.
Já o artista nos fala que o espírito desta exposição é que "as pessoas comecem a pensar a existência muito mais corporalmente do que mentalmente, pensar na Terra mais como corpo do que imagem ou paisagem, pensar nas relações como algo sagrado, mais profundo, que temos uns com os outros", diz Ernesto Neto.
As obras ocupam nove salas, divididas nas diversas partes de uma 'abelha colibri'. "Temos então a boca, a cabeça, as antenas, as patas, o corpo dividido em garganta, estômago e rabo, e as asas. Cada parte do corpo tem um título. Esse todo é uma pintura feita majoritariamente de esculturas, além de desenhos e impressões", comenta o artista.
A retrospectiva no Guggenheim de Bilbao acontece de 14 de fevereiro a 18 de maio.
Fonte: http://www.portugues.rfi.fr

domingo, 15 de dezembro de 2013

ARTE CONTEMPORÂNEA: QUE NEGÓCIO É ESSE?



Vídeo: Café Controverso / UFMG

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Antropologia Cultural de Franz Boas


 
"Antropologia Cultural" de Franz Boas, publicado pela editora Zahar, reúne cinco ensaios de leitura imprescindível para todos aqueles que se iniciam no estudo da cultura, em seus mais diferentes enfoques. Este conjunto é uma iniciativa memorável para os estudos antropológicos no Brasil e constituiu o eixo central para a consolidação de toda a antropologia moderno-contemporânea.
 
 
 
 
 
 
 
 
Imagem e texto: Zahar Editora

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Amilcar de Castro: Repetição e Síntese

                        

A  exposição apresenta um panorama da criação de Amilcar de Castro (1920-2002), reunindo obras das diversas áreas de atuação do artista mineiro. São esculturas de corte e dobra, pinturas e esculturas de grandes dimensões, desenhos em nanquim, esculturas em madeira, desenhos de projetos de esculturas e coleção de gravuras. 

 
Curadoria: Evandro Salles



 

13 Nov a 27 Jan

Local: Pátio e 3º Pavimento do CCBB BH

Horário: De quarta a segunda, das 9h às 21h


  
Imagem: Enciclopédia Itaú Cultural
Texto: CCBB/BH

domingo, 22 de setembro de 2013

Exposição Mostra as Transformações em 60 Anos na Arte Brasileira

 
A Fundação Bienal de São Paulo inaugurou a exposição 30 x Bienal - Transformações na Arte Brasileira da 1ª à 30 Edição, que traz a trajetória artística do país nos últimos 60 anos, de 1951 até 2012, destacando a participação brasileira da primeira à última bienal.
“Procurei encontrar correspondência entre a importância da bienal e a importância na história da arte brasileira. É um pouco buscar o paralelo entre essas duas histórias que são complementares”, disse o curador da mostra, Paulo Venâncio Filho, que acredita que a Bienal é um dos elementos que estruturou a arte brasileira a partir da segunda metade do século 20.
A mostra, que tem obras de todas as edições da bienal, traz uma seleção de 250 obras de 111 artistas. De acordo com o curador, a intenção é propor uma orientação não cronológica, mas flexível, “que possa ultrapassar tempo e espaço, sem, entretanto, deixar de observar a continuidade histórica de seis décadas”.
“Selecionar [as obras] foi uma tarefa difícil, complicada, porque participaram das 30 edições cerca de 1.700 artistas. Tive de fazer uma redução muito drástica, cheguei a esse número de 111, que acho que é um número representativo desse período”, disse.

A exposição traz um panorama das influências presentes na bienal, que abrange desde a abstração geométrica ao concretismo, a arte pop, a geração conceitual e o reflexo dessas escolas na produção dos artistas de hoje.
 
“A bienal ainda é o grande evento artístico do Brasil. Fundamental para as artes plásticas e para a cultura brasileira. Hoje as artes plásticas têm um papel maior, mas há 60 anos ninguém sabia o que era, a bienal deu uma dimensão pública para as artes plásticas”, disse Venâncio.
A exposição ocorre até 8 de dezembro no prédio da Fundação Bienal de São Paulo, no Parque Ibirapuera, Portão 3. Terças, quintas, sábados, domingos e feriados funciona das 9 h às 19 h (entrada até às 18h). Às quartas e sextas, das 9 h às 22 h (entrada até às 21h). A entrada é gratuita.
 
Imagens: Acervo da Fundação Bienal
Texto: Bruno Bocchini - Repórter da Agência Brasil
Edição: Fábio Massalli

domingo, 18 de agosto de 2013

O Fim da História da Arte, de Hans Belting



Este livro traz dois ensaios onde Hans Belting - um dos maiores pensadores das artes visuais da atualidade - articula questões centrais para a reflexão sobre a história da arte. Para o autor, é preciso reformular a "ciência das artes" para uma abordagem que evite o maior pecado de um historiador: o anacronismo. A história da arte, tal como era contada, aparece para ele como um "equívoco ocidental", que trata o desenvolvimento de algumas correntes da produção visual de uma determinada cultura como uma narrativa única e universal. O autor propõe uma revisão das concepções da pesquisa em um novo modo de encarar esses fenômenos e chamá-los pelo nome que eles têm. Dentro desta perspectiva, Belting nos oferece um amplo panorama da produção em história da arte, problematiza algumas peculiaridades da arte contemporânea, tenta entender as peculiaridades dos museus ontem e hoje e nos sugere "uma nova e mais abrangente história da imagem". O volume inclui ainda um conjunto de imagens que, apresentadas sem encadeamento linear, constituem um discurso em si mesmo, num íntimo diálogo com os textos.
 
 
Imagem e texto: Cosac Naify
 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Artes Visuais e Desigualdade Social: Um Esboço Histórico

Por Ednaldo Britto

Quando os artistas financiados pelo mecenato renascentista deslocaram a pintura da condição de produto das corporações de ofícios para a categoria de “coisa mental” ou artes liberais, deram início ao distanciamento atual entre as manifestações de artes visuais e o cidadão comum.

No século XVIII, os franceses ao tomarem de assalto dos italianos o posto de “cultura de elite” do Ocidente, utilizaram-no politicamente para difundir pelo mundo uma concepção de arte atrelada à sua hegemonia econômica e cultural. Neste sentido, ao desembarcar no Rio de Janeiro em 1816, trazida pelos artistas napoleônicos da Missão Artística Francesa, a arte das monarquias europeias ou arte acadêmica – herdeira do mundo greco-romano e renascentista – torna-se instrumento da monarquia brasileira em sua “luta” contra o estilo Barroco-Colonial que, até então, se popularizava com as bênçãos dos jesuítas. 


    Desenbarque de D. Leopoldina no Brasil – Óleo sobre tela, Jean-Baptiste Debret.

Com a Proclamação da República em 1822, surgem no Brasil às primeiras iniciativas para transformar a arte acadêmica em algo acessível à maioria da população. Entretanto, a suntuosidade, a formalidade e a sacralização das obras de arte expostas nos luxuosos salões neoclássicos dos primeiros museus do país, serviram apenas para alargar e aprofundar ainda mais o fosso existente entre os cidadãos sem instrução artística e as artes visuais.
 
  Museu Nacional de Belas Artes – Rio de Janeiro
Foto: Cláudio Lara
                                       
Nas duas primeiras décadas do século XX, o Brasil presencia o embate ideológico entre duas facetas de sua “elite”. De um lado, os ricos herdeiros da aristocracia cafeeira, partidários do academicismo. De outro, os novos ricos da indústria paulista que se auto-intitulavam vanguardistas modernos. Neste contexto, após uma sucessiva troca de agressões entre as partes envolvidas no conflito ideológico, prevalece a estética nacionalista de feição européia, exaltada na Semana de Arte Moderna em 1922. No entanto, a mudança proposta pelos modernistas permaneceu no plano teórico e formal, não atingindo aspectos estruturais ou simbólicos relevantes que pudessem destituir a arte do seu caráter elitista. 
  Modernistas – Teatro Municipal de São Paulo 1922
 
Em 1951, exposta na primeira Bienal Internacional de Arte de São Paulo, chega ao Brasil a arte abstrata. “Criada” por artistas europeus e ampliada pelo neo-expressionismo norte americano, a abstração eleva o tom do discurso visual para um nível ainda mais intelectualizado; o que mantém a arte brasileira como algo inacessível  às classes “não educadas” do país.
 
  Unidade Tripartida (1951) – Max Bill
 
Na década de 1960, conciliada à linguagem da informática, a abstração inaugura em território brasileiro o período da arte contemporânea ou pós-moderna, que em sua vertente conceitualista propõe a “desmaterialização da obra de arte”. Por fim, destituída de seus suportes convencionais, a arte é transformada em pura ideação e concebida como linguagem, tornando-se objeto de estudo semiológico de intelectuais ligados aos meios acadêmicos.   
 
                                                                                                     Arquiteturas biológicas (1969) Lygia Clark.
 
Hoje, como parte do esforço para reduzir a desigualdade, o grande desafio político-cultural consiste em diminuir a distância que separa as criações artísticas nacionais dos não-artistas. Para isso, a produção e o acesso às artes visuais devem transitar em vias de mão dupla, do contrário, a arte brasileira permanecerá historicamente como “coisa mental”, feita por poucos e para poucos. 
 
 
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1.       Segundo pesquisa realizada pelo Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD) o Brasil, a sexta maior economia, possui hoje a sétima pior taxa de desigualdade do mundo (0,56%).

2.       Ednaldo Britto é pesquisador, produtor e professor de Artes Visuais com formação em Arte e pós-graduado em Estudos Culturais pela Universidade Federal do Pará. Atualmente, trabalha com Gestão Cultural, formação de Educadores e é responsável pelo Blog Arte: Pesquisa e Ensino.